Caixa Paradigm Persona B

Caixa Paradigm Persona B

CAIXA PARADIGM PERSONA B
TESTE ÁUDIO 2

 

Fernando Andrette fernando@clubedoaudio.com.br

Tive que recorrer às minhas anotações pessoais para saber a última vez que testei um produto deste fabricante canadense de caixas acústicas. Foi em 1999! O ano em que lançamos nossa metodologia e gravamos nosso primeiro disco, o Genuinamente Volume 1 – Sound Stage.
Faz muito tempo, então tentar fazer algum paralelo entre aquele produto e a Persona B é o mesmo que comparar carros nacionais dos anos setenta com os carros de agora.
Nem sequer as caixas da série Signature, lançadas há mais de uma década, eu ouvi em nossa sala de audição. Apenas breves audições em showrooms de lojas ou na casa de algum leitor.
A Paradigm sempre foi reconhecida por atuar na faixa de caixas de padrão intermediário, e foi aí que ela cresceu em termos globais e conquistou sua fatia de mercado. Por isso foi com surpresa que
recebi a solicitação do Edmar Hashioka para ouvir e testar a nova linha, batizada de Persona, que coloca a Paradigm em outro nível, acima, e pronta para brigar com outros fabricantes de peso como Focal, Dynaudio, etc.
A série Persona começa com a bookshelf Persona B, na faixa de 7 mil dólares (nos Estados Unidos) e acaba com a coluna Persona 9H, ativa, por 35 mil dólares. Entre a bookshelf e a torre ativa existem colunas passivas e um canal central.
A Paradigm, sabendo da briga de gigantes que enfrentaria, usou toda a sua expertise de maior fabricante de caixas acústicas Canadense e investiu muito em novas tecnologias e soluções realmente inovadoras. A Persona B utiliza um tweeter de berílio de 1” e um woofer, também com cone de berílio, de 7”. Sendo até este momento o único fabricante a utilizar o berílio em um cone de falante de médio-grave. Outro diferencial, segundo o fabricante, é o uso em todos os falantes da tecnologia ART (Active Ridge Technology): uma bobina de 1,5 polegadas moldada diretamente no cone do falante, essa tecnologia permite excursões do cone maiores e mais lineares, para uma menor distorção.
Outra tecnologia utilizada na linha Persona é o sistema shock-mount que consiste em utilizar insertos e juntas de borracha para isolar o falante de médio-grave do gabinete. O tweeter de 1 polegada possui um diafragma de berílio Truextent, um imã de neodímio, e está envolto em seu próprio gabinete para isolá-lo do falante de médio-grave.
O berílio é utilizado por diversos fabricantes de caixas hi-end por serem muito leve e rígido. E com uma distorção de sinal muito baixa. Em uso em conjunto com a tecnologia ART, a Paradigm diz ter conseguido, nesta nova série, resultados muito acima do normal!
Os diafragmas de berílio são feitos pela Materion, que produz pra diversos fabricantes de áudio. As caixas são montadas em Mississauga, na província de Ontário (veja os vídeos que disponibilizamos).
A caixa possui um acabamento primoroso, gabinete com curva na parte de trás para o cancelamento de suas ondas estacionárias, produzido com sete camadas de composite de madeira prensada, mantidas unidas por um adesivo especial utilizado também pela indústria aeroespacial.
A caixa possui um pórtico na parte de trás, logo acima dos terminais de caixa de altíssimo padrão e que possibilitam o uso da caixa biamplificada ou bicablada. As caixas Personas estão disponíveis em vários acabamentos, sendo que a que veio para teste foi em branco metálico. Outro detalhe que chama muito a atenção é a tela em metal com defletores e lentes PPA, que lembram uma mandala, dando um acabamento de luxo as caixas e tendo a função de maior linearidade na reprodução de foco e recorte.
As Personas B foram recebidas lacradas. Para o teste utilizamos os seguintes equipamentos – amplificadores integrados: Sunrise Lab V8 MkIV e Audio Research VSi75. Powers: Audio Research Ref 75 SE e Hegel H30. Pré-amplificadores: Dan D’Agostino e Ref 6 da Audio Research. Sistema digital: dCS Scarlatti e Hegel HD30. Analógico: pré de phono Tom Evans Groove+, toca-discos Air Tight, braço SME Series V e cápsula Transfiguration Proteus. Cabos de caixa: Transparent Reference XL MM2, e Sunrise Lab Quintessence. Cabos de interconexão: Ortofon Reference Black, Sax Soul Ágata, Sunrise Lab Quintessence (leia teste 5 nesta edição), Timeless Guarneri e Transparent Opus G5.
Pessoalmente não gosto de ler nenhum teste do produto que estou testando, pois gosto de comparar minhas observações finais apenas quando acabei integralmente o teste. Mas como um amigo meu veio ouvir a caixa, ele me comentou que um site de nome 10 Audio havia testado a caixa e detonou o produto, a ponto de acabar o teste com a seguinte frase: “Este teste aqui foi mais curto por um bom motivo. Houve um forte desejo de desligar o sistema e encerrar a audição”. Aí aguçou minha curiosidade em conhecer outras avaliações de sites ou revistas mais conceituados. E cheguei à seguinte conclusão: o articulista do site 10 Audio recebeu uma caixa com defeito, pois suas conclusões não batem com a de nenhum outro articulista que ouviu a Persona B e muito menos batem com as minhas observações.
Mas vamos por etapas. A Persona B necessita de estar muito bem instalada em um pedestal em que o tweeter fique ligeiramente acima do ouvido. Ela gosta de trabalhar com um ligeiro ângulo voltado para o centro do ponto ideal de audição e necessita de respiro, tanto em relação às paredes laterais, como a parede às costas da caixa. Outro cuidado extremo é com a distância entre as caixas, que não deve nunca ser inferior a 2,00 metros, pois a quantidade de energia que os falantes de médio-grave proporcionam entre as caixas é impressionante!
Os falantes de berílio necessitam de uma longa queima, e quando digo a você longa, estou falando acima de 400 horas (o articulista da 10 Audio amaciou por 200 horas). Outro cuidado: não é pelo fato da caixa ter uma sensibilidade boa (92dB em sala de audição e 89 dB em câmera anecóica) que amplificadores de 10 Watts serão bem vindos (o articulista da 10 Audio insistiu no uso de dois amplificadores valvulados de baixa potência). E, por último os cabos de caixa precisam ser de alto nível.
A caixa vem de fábrica com um par de jumpers de bom acabamento, mas muito abaixo do que a Persona B pode render com um bom par de jumpers feitos de cabo de boa qualidade. Eu utilizo o da Sunrise Lab, de excelente construção e bastante neutro, mas existem muitas excelentes opções no mercado. E, em uma caixa deste nível, a substituição dos jumpers originais é essencial para quem vai usar a caixa monocablada.
Com todos esses cuidados, digo a você leitor que sua satisfação com essa estupenda bookshelf será total! Pois suas qualidades sonicas são admiráveis.
Mas, antes de se atingir o nirvana sonoro que a Persona B é capaz de oferecer, existe o obstáculo chamado: longa queima. As primeiras 100 horas são absolutamente sofríveis, pois os falantes oscilam muito. Hora abrem, hora escurecem, como se fosse uma roda gigante. Capaz de levar os afoitos a roerem todas as unhas dos pés e das mãos. E, acreditar nessas primeiras 100 horas que daquele patinho feio saia um cisne é tarefa para audiófilos de muita rodagem.
Uma dica importante: mesmo com todo esse processo caótico de amaciamento, o ouvinte atento imediatamente percebe que o grau de distorção desta caixa é tão baixo, mais tão baixo, que uma quantidade imensurável de informações estão presentes como nunca estiveram antes em nenhuma caixa que o audiófilo já tenha tido ou admirado!
E estou comparando esta qualidade com caixas que custam dez vezes mais que a Persona B! Um requinte de informações que, à medida que a queima vai estabilizando os falantes, só torna as audições cada vez mais cheias de surpresas agradáveis!
O fabricante fala que a caixa desce a 50Hz, e pode parecer pouco, no primeiro momento, mas a impressão é que a caixa desce pelo menos a 40Hz, pois à medida que o falante de médio-grave abre, o corpo do médio baixo é simplesmente excepcional.
Essa mudança de comportamento geral nos médios e médios-graves ocorreu por volta de 240 horas. Daqui em frente, o que faltava abrir eram aos agudos, acima de 3kHz, que ainda eram tímidos e com muito pouco corpo. Mas grande parte da informação na região média já era assustadoramente de alto nível, tanto em termos de naturalidade, como de qualidade de informação e inteligibilidade.
Com 300 horas, outro fato marcante ocorreu: o grau de energia e a apresentação do acontecimento musical entre as caixas ganharam uma energia que eu só tinha visto até então nas bookshelf Boenicke W5SE. Nenhuma outra bookshelf por nós testados teve essa característica tão evidente.
Aí muitos dos nossos leitores devem estar se perguntando: “o que eu desfruto com essa energia a mais entre as caixas?”. Você irá desfrutar desta energia de duas maneiras, abaixando primeiramente o volume de todos os seus discos e posteriormente você verá seu conforto auditivo dobrar exponencialmente! Simples como um passe de mágica.
E para aqueles que necessitam ouvir em volumes reduzidos na calada da noite, esta é uma qualidade que a família em peso agradece.
Chegando às 350 horas, o tweeter finalmente desperta de seu sono profundo e passa a nos brindar com uma extensão, velocidade correta, corpo (que muitos reclamam que nos falantes de berílio são menores) e um decaimento exemplar!
As ambiências são apresentadas com um grau de fidelidade espantoso. Assim como o foco, recorte e planos. As caixas somem na sala, deixando-nos a sós com os músicos. O equilíbrio tonal pleno só foi atingido com 420 horas, e daí para frente a Persona B se estabilizou completamente.
Mas algo ainda me incomodava: algumas gravações de piano teimavam em dar uma ‘beliscada’, como se em alguma frequência na região de 3kHz os harmônicos teimassem em saltar para à frente das caixas. Eram, para ser claro, três exemplos de solo de piano. Foi aí que resolvi trocar o jumper original pelo da Sunrise Lab. Eureka! Essa sensação de sobreposição sumiu e o palco sonoro ganhou ainda mais em largura, altura e profundidade. Mas o maior benefício da troca dos jumpers ocorreu na apresentação das texturas e no grau de naturalidade e conforto auditivo.
Como já mencionei, algumas linhas acima, a baixa distorção dessas caixas deverá se tornar um sério problema para a concorrência. Pois é audivelmente superior, ao ouvir músicas com maior número de instrumentos e com variações dinâmicas complexas, a qualidade e o grau de inteligibilidade que a Persona B oferece. Mesmo em gravações mais limitadas tecnicamente, o grau de informação é muito maior.
Esse baixo índice de distorção dá às caixas Persona B uma folga e um conforto auditivo difíceis de serem superados. O que me levou a solicitar ao importador que nos envie assim que possível uma coluna (pode ser a 5F ou a 7F), para tirar uma dúvida.
Esse baixo índice de distorção é do falante de médio-grave de berílio, ou também estará presente nas colunas em que o grave é de cone convencional? Fiquei realmente com essa dúvida, pois determinados resultados que escutei me pareceram muito mais do cone de berílio do que da tecnologia ART. Quando testarmos alguma das colunas da série Persona, dividirei com vocês minhas conclusões.
Outra vantagem do baixíssimo nível de distorção desta série é na reprodução de micro e macro-dinâmicas. Pois as resoluções parecem muito mais precisas e nos ajuda a compreender o grau de dificuldade de diversas obras. E ainda que haja a limitação física da caixa e do falante de 7 polegadas, a apresentação de macro-dinâmica é exemplar e referencial para a maioria da bookshelfs de duas vias. Muitos leitores reclamam que ainda que suas salas estejam muito mais condizentes com caixas book, resistem a ir nesta direção pelo fato do corpo dos instrumentos ser diminuto nessas caixas. E que é dificil conviver com essa limitação.
Concordo com a maioria desses leitores. Pois ouvir todos instrumentos como se fossem pizza brotinho, espalhados no palco sonoro, não ajuda em nada nosso cérebro a esquecer que estamos em uma reprodução eletrônica. Mas já existem diversas bookshelfs que driblaram este problema com maestria. E entre essa nova geração, temos que acrescentar a Persona B. Talvez até o momento a melhor book para a reprodução de corpo harmônico que testamos!
E chegamos ao nosso penúltimo quesito – Organicidade – ou seja, a capacidade do produto em teste de materializar o acontecimento musical na nossa frente. Em gravações de excelente qualidade técnica isso não é nenhum mistério. Mas em gravações boas ou medianas? Quem se habilita? A Persona B não só se habilita, como mostra como pode ser bem feito.
Nas gravações primorosas ela nos deixa os músicos quase que palpáveis, e nas gravações boas, nos coloca frente a frente com os solistas.

CONCLUSÃO
Recebemos a Persona B com interesse em conhecer que caminho a Paradigm havia escolhido para galgar o degrau dos fabricantes mais top, e acabamos o teste, certos de que a Paradigm acertou em cheio.
E vai causar um baita problema para a concorrência. Escreva aí o que eu estou dizendo. O produto é bem acabado, possui um grau de compatibilidade muito alto e uma performance impressionante! É, junto com a Boenicke W5SE foi a bookshelf que mais nos impactou pela capacidade de nos fazer crer que é possível sim, em um espaço de até 25 m², conviver com uma bookshelf sem sentir falta de nada.
Enquanto a W5SE desce mais, possibilitando o uso em salas até um pouco maiores, a Persona B contra-ataca com uma sensibilidade maior, o que permite um leque de opções de amplificadores bem mais abrangente.
Uma caixa que alia design, tecnologia e performance para ser a nova referência do mercado de books top!
Preciso dizer mais alguma coisa?
Se você pensa em uma caixa Estado da Arte para o seu sistema, e seu espaço é reduzido, mas não abre mão da melhor fidelidade e resolução possível, ouça a Persona B.

PONTOS POSITIVOS
Uma book irrepreensível em termos de qualidade e performance.
PONTOS NEGATIVOS
Troca de jumpers e exigência com um sistema à altura de suas qualidades.
Tipo Caixas bookshelf de 2 vias bass-reflex
Crossover 3a. ordem (corte em 2kHz)
Resposta de freqüência +/- 2dB de 60Hz a 45kHz
Driver de Alta Freqüência 1″ (25mm) dome de Berílio Truextent®, amortecimento ferro-fluído. Lentes acústicas Perforated Phase-Aligning (PPA™)
Driver Mid-Woofer 7″ (178mm) driver com cone de Berílion Truextent®. Lentes acústicas Perforated Phase-Aligning (PPA™)
Extension de baixa freqüência 36Hz
Sensibilidade 92dB
Impedância Compatível com 8 ohms
Para amplificadores de 15 – 250 Watts
Potência máxima 150 Watts
Peso 14kg
Dimensões 43.5(A) × 22.5(L) × 33(P) em cm

Equilibrio tonal- 11
sound stage 11
textura 12
transientes – 11
dinamica 10
corpo harmônico 11
organicidade 11
musicalidade 12

total 89 (Estado da Arte)
VOCAL: 10
ROCK . POP : 10
JAZZ . BLUES: 10
MÚSICA DE CÂMARA: 10
SINFÔNICA: 10