Amplificador Integrado HEGEL h90 – edição 237

Amplificador Integrado HEGEL h90 – edição 237

AMPLIFICADOR INTEGRADO HEGEL h90 – edição 237

 

Juan Lourenço revista@clubedoaudio.com.br

A Mediagear, importadora oficial da marca Hegel, cedeu para teste o novo amplificador
integrado H90, que trouxe melhorias significativas em relação ao seu antecessor, o H80. A
Hegel pegou o melhor do H80 (sua amplificação e DAC interno), fez atualizações importantes
na amplificação, trazendo a segunda geração da tecnologia patenteada SoundEngine2, que
aumentou o fator de amortecimento para mais de 2000. Adicionou a tecnologia
DualAmp/DualPower, que separa os circuitos de amplificação e alimentação dos estágios de
ganho de tensão e de corrente, que aliado à baixíssima impedância de saída (marca registrada
dos Hegel), o fez se aproximar ainda mais dos outros produtos Hegel. Pegou o melhor do Röst
como, por exemplo, o novo mostrador OLED com caracteres brancos, mais bonitos e mais
fáceis de ler que o antigo mostrador digital azul. Colocou acesso à Internet via porta Lan (RJ45)
para streamer de música, e integração total com produtos Apple como Airplay, iPhone, iPad e
computadores Mac.
A interatividade entre Hegel e Apple é de fato muito boa, mas não pense que os outros
gadgets ficaram de lado. É possível comandar a biblioteca musical através de smartphones,
tablets e computadores que operam com outros sistemas operacionais que não o iOS,
inclusive as novas versões do Linux.
O controle remoto é minimalista e bastante funcional. Como é comum os controles Hegel
operarem outros sistemas, este também pode operar as principais funções de outros
tocadores de música. Leve, fino e discreto, seu formato lembra bastante o controle do Apple
TV.
Seu conversor digital/analógico, mais próximo do DAC do H360, agora conta com três
entradas: ótica, coaxial S/PDIF e uma USB, que utiliza a tecnologia Synchrodac, síncrona, que a
Hegel afirma ser mais eficaz, oferecendo maior resolução e menor distorção que o modo
assíncrono.
Na parte analógica continuam as duas entradas RCA de linha e uma saída variável RCA.
Fazendo falta a entrada balanceada que antes equipava seu antecessor. O H90 possui
amplificação Classe A/B, tem potência de 60 Watts por canal em 8 ohms, resposta de
frequência de 5Hz a 100KHz, potência suficiente para empurrar a maioria das caixas existentes
no mercado com bastante fôlego.
Outra coisa que gostei no H90 é que os conectores de caixa estão dispostos em um formato
diferenciado, em que os terminais positivos estão mais afastados que os negativos. Não sei se
foi uma questão de acomodação interna, mas a verdade é que ficou bem mais seguro utilizar
conectores do tipo spade sem se preocupar que o positivo toque no negativo. Sofro com este
problema de espaço entre terminais com a caixa acústica Pioneer SP-FS52: são tão próximos os
terminais que é impossível não ficar preocupado verificando para onde anda apontando os
spades a cada movimentação de cabos.

COMO TOCA
Para o teste foram utilizados os seguintes equipamentos. Fonte digital: CD-Player e master
clock dCS Puccini, notebook Samsung (com JRiver), iPhone 4S e Samsung Galaxy Win 2 (ambos

com JRemote). Cabos de força: Transparent XL MM, Sax Soul Zafira III e Chord Sarum Tuned
Aray. Cabos de interligação: Sax Soul Cables Zafira III RCA, Sunrise Lab Reference II RCA,
Sunrise Lab Reference BNC para o clock dCS, e Wireworld Platinum Starlight 7 USB. Cabos de
caixa: Kimber Cable KS 3035 e Wireworld Eclipse 6.
Caixas acústicas: Pioneer SP-FS52 By Andrew Jones, Monitor Audio Silver 1 e Dynaudio Excite
X14. Fone de ouvidos: Klipsch M40 e Sennheiser HD600.
Antes de ir para o teste, preciso agradecer ao meu amigo Alicio Reginatto Júnior por me
socorrer cedendo o CD-Player e clock dCS Puccini, e outros apetrechos para terminar o review.
Voltando ao teste, o H90 chegou amaciado, mesmo assim por precaução deixamos por mais
150 horas e iniciamos os testes. Assim que as primeiras notas do saxofone de Bud Shank no
disco LA4 Just Friends (faixa 1) ecoou pela sala de audição, imediatamente voltei no tempo
quando ainda era um calouro na ULM (Universidade Livre de Música), quando ainda tinha
Kenny G como ídolo máximo e fui arrebatado pelo som de um outro aluno na fase final do
curso. Seu som cheio de vigor com texturas, brilhos e colorações tão exóticas me faziam
tremer por dentro! Era um som limpo, simples e rasgado, cheio de melancolia, que só
boquilhas abertas com palhetas moles e um coração aberto conseguem tirar de um sax Alto. O
H90 fez meu corpo tremer como naquele dia, pois as texturas no som de Bud Shank são assim
rasgadas, estaladas e cheias de nuances que são difíceis de reproduzir eletronicamente sem
que este quesito vá para o vinagre, evidenciando sua assinatura assombrosamente parecida
com do seu irmão maior o H360, exibindo texturas lindas sem endurecimento do saxofone
nem perda da intencionalidade. Tudo isso graças ao seu rígido controle sobre as caixas,
tomando para si a responsabilidade de todo o acontecimento musical.
Após retomar o controle do meu corpo, antes paralisado pelos encantos do H90, coloquei o
disco do contrabaixista Ron Carter Nonet, Eight Plus (faixa 7): o H90 mostrou texturas
maravilhosas e bastante reais, sendo possível perceber uma característica bastante peculiar
deste disco: além de todo o trabalho exuberante dos cellos e da percussão, passados 1:50m de
música, dá início ao solo e o “roncar” do contrabaixo tem um efeito bastante interessante,
causado pelo arco – o som extraído parece de arco novo ou de um arco com pouco breu, ou a
junção dos dois (vai saber…). O fato é que o arco não parece “estressar” tanto as cordas como
seria o normal, a crina pouco gruda nas cordas produzindo um timbre que em alguns sistemas
pode soar desequilibrado, fanho, tornando o solo pouco interessante e estranho aos ouvidos.
Neste quesito o H90 passa com louvor – zero de estranheza – as texturas são as melhores
possíveis!
Os graves são um ponto fora da curva, são vincados com ótimo recorte e extensão com ótimo
deslocamento de ar e modulações muito claras. Até pelo fone de ouvidos os graves se
mostram precisos e com ótima extensão.
Outro ponto forte deste integrado é o seu corpo harmônico. Com o disco Modern Cool, da
Patricia Barber (faixa 5), o corpo da percussão, do prato de condução e a voz da cantora
tinham ótimo tamanho, sua voz poderosa era de um realismo quase palpável, era pura
sedução! O H90 fazia questão de manter o trompete em sua alça de mira, não deixando
ultrapassar o limite de seu tamanho em nenhum momento.
Uma boa surpresa foi ouvir Rachelle Ferrell Live In Montreaux (faixa 10). Aquela massa obtida
pelo conjunto musical, principalmente do piano tocado por ela e sua voz avassaladora, põem à
prova qualquer sistema – até os milionários. Neste quesito o H90 mostrou competência e,

mesmo em meio a toda aquela profusão sônica, o piano trabalhava o crescendo com bastante
ar à sua volta, até o ápice onde tudo enlouquece e o massacre da serra elétrica começa. É
claro que o H90 não tirou tudo de letra frente a esse verdadeiro paredão, pois se assim o
fizesse não se chamaria H90 e sim H360, mas ele tocou novamente de forma descomplicada e
com ótima folga e inteligibilidade sem se intimidar com a complexidade técnica e artística
desta obra. Nada escapou aos seus olhos, ele lançava luz sobre todos os músicos nenhuma
pequena colcheia passou despercebida.
O controle vocal da Rachelle Ferrell é inebriante e, ao mesmo tempo, perigoso para alguns
sistemas: o endurecimento nas altas pode ser um verdadeiro anticlímax. No H90 nenhuma
freqüência era indesejada, tudo é bem-vindo e acontece de forma bastante equilibrada e
natural com ótima resolução mesmo para trompetes com surdina e a última oitava do piano.
Como ouvi em conversas com amigos, e li muitos comentários sobre o casamento dos
produtos Hegel e Monitor Audio não ser dos melhores, resolvi cassar a aposentadoria das
minhas Silver 1 e tirar minhas próprias conclusões. A baixíssima impedância de saída e o fator
de amortecimento pra lá dos 2000 fizeram com que o H90 não tomasse conhecimento sobre a
existência da S1. Empurrou muito bem a caixa, tratando suas limitações com condescendência.
Ainda na faixa 10 do disco Live In Montreaux da Rachelle Ferrell, o que ficou evidente foi o
nervosismo da caixa, que tornava o acontecimento musical apressado como se os músicos
estivessem segurando uma batata quente nas mãos. Ainda assim o refinamento do H90 não
transformou as limitações do tweeter da S1 em sofrimento musical. Ao contrário, segurou seu
ímpeto jovial e o colocou mais perto da realidade. Até o grave que é um pouco demais para o
tamanho de seu gabinete o H90 controlou com perfeição limitando suas tentativas de descer
sem controle. Gostaria de ter testado com uma PL100 ou 200 para liquidar com as dúvidas –
não foi possível. Mesmo assim ficou claro que a assinatura Hegel não é o motivo de alguns
divórcios com Monitor Audio e sim como é feita sua harmonização no sistema.
Já com as Excite 14 a calmaria e suavidade entre este conjunto chamou bastante atenção. A
Dynaudio tocou com uma docilidade e equilíbrio cativantes!
Com as Pioneer SP-FS52 by Andrew Jones, o H90 sentiu-se em casa tocando com desenvoltura
tudo que lhe era passado. O RCA Zafira III com conectores WBT de prata trouxeram para as
Pioneer maior arejamento e extensão nas altas, o que deixou as apresentações ainda mais
gostosas de ouvir.
Com fone de ouvidos seu som era muito bom, correto e equilibrado. Faltando apenas uma
pitada nas altas, nada que estragasse o prazer de ouvir. A folga do H90 é uma ótima aliada dos
fones mais tecnicamente comprometidos.

CONCLUSÃO
Com o H90 a Hegel trouxe a alta qualidade audiófila mais para perto de nós seres mortais,
muitas vezes desenganados com este hobby. A jornada não é fácil, é como encontrar uma
agulha no palheiro e o Hegel H90 é certamente uma agulha brilhante em meio a um enorme
palheiro de produtos equivocados tonalmente, dando-nos uma boa dose do mágico som Hegel
H360 por uma fração de seu preço.
Se o amigo leitor procura por um amplificador integrado sério, correto e antenado com as
novas tendências tecnológicas, deve ouvir o H90. Duvido que não se surpreenda e passe a
considerá-lo um forte candidato.

PONTOS POSITIVOS
Novo mostrador OLED, compatibilidade com várias caixas acústicas de marcas e assinaturas
diferentes, compatibilidade total com diferentes gadgets, programas e serviços de streaming
de música.
PONTOS NEGATIVOS
Não tem entrada balanceada XLR, como no Röst e seu antecessor, o H80.

Especificações:
Potência
Carga mínima
Entradas analógicas
Entradas digitais

Saída de nível de linha
Resposta de frequência
Relação sinal-ruído
Crosstalk
Distorção
Intermodulação
Fator de amortecimento
Dimensões (L x A x P)
Peso
2 x 60 W em 8 Ohms
2 Ohms
2 x (RCA)
– 1 x (RCA) coaxial S / PDIF – 3 x S / PDIF óptico – 1 x USB, 1 x ) – 1 x Network
1 variável (RCA)
5 Hz – 100 kHz

Mais de 100 dB
Menos de -100 dB

Menos de 0,01% @ 25 W 8 Ohms 1 kHz
Menos de 0,01% (19 kHz + 20 kHz)
Mais de 2000 (potência principal estágio de saída)
43 cm x 8 cm x 31 cm
11 kg

AMPLIFICADOR INTEGRADO HEGEL H90
Equilíbrio Tonal 10,0
Soundstage 11,0
Textura 11,0
Transientes 12,0
Dinâmica 10,0
Corpo Harmônico 11,0
Organicidade 11,0
Musicalidade 11,0
Total 87,0
VOCAL: 10
ROCK . POP : 10
JAZZ . BLUES: 10
MÚSICA DE CÂMARA: 10
SINFÔNICA: 9