Amplificador Integrado HEGEL H360 – edição 235

Amplificador Integrado HEGEL H360 – edição 235

AMPLIFICADOR INTEGRADO HEGEL H360 – edição 235

 

                         
Fernando Andrette fernando@clubedoaudio.com.br

Para os novos leitores que começam a ‘vislumbrar’ o potencial de se ouvir em equipamentos
com a melhor fidelidade que a tecnologia hoje disponibiliza, sugiro também a leitura do teste
do modelo H300 da Hegel, que publicamos na edição 209. Lá eu conto um pouco da história
deste importante fabricante de áudio hi-end norueguês e da incrível trajetória de Bent Holter,
fundador e principal projetista da empresa, que utilizou seu Mestrado em Física de
Semicondutores para desenvolver uma topologia revolucionária. Eu mesmo me fiz a pergunta
ao receber o H360 para teste: “O que esses caras fizeram de diferente, para substituir um
produto tão consagrado como o H300?”.
Antes de ouvir o que a própria Hegel tinha a falar, coloquei-o para uma primeira audição
(como faço com todos os produtos que recebemos para teste). No hi-end, aquela máxima do
“que fica é a primeira impressão” não deve ser levada muito à sério, pois a rodagem (queima)
pode trazer muitas conclusões, boas e ruins! Mas, é
fundamental essa primeira audição, para sabermos exatamente de que patamar o produto em
teste já sai.
Como possuo todas as anotações dos produtos por nós testados, lá fui eu buscar o arquivo do
H300, separar os discos utilizados naquela seção e passei a ouvir o H360. Antes de falar sobre
essas impressões, vamos ao que o fabricante diz dessa nova versão. Ele manteve os mesmos
250 Watts em 8 ohms por canal (420 watts em 4 ohms), porém com uma astronômica
diferença no fator de amortecimento, que no H300 era de 1.000 e agora é de 4.000! Em
termos de design nada mudou, nem o tamanho do gabinete e nem tão pouco o visual simples
com dois botões grandes de cada lado e o painel no meio. O botão de liga/desliga também
continua em baixo do gabinete (é preciso tatear a mão para achá-lo: fica bem no meio do
aparelho, bem na frente).
Voltando às especificações técnicas, com esse novo fator de amortecimento a Hegel se gaba
de conseguir conduzir a mais amplagama de caixas acústicas existente no mercado. O H360
manteve as mesmas entradas de linha (1 RCA, 1XLR) e uma entrada para Home que também
pode ser configurada internamente para mais uma entrada normal RCA. No que a Hegel
investiu pesado nesta nova versão do H300 foi em um novo DAC onboard, capaz de suportar
arquivos PCM 24-bit/192kHz e modo nativo DSD64 e DSD128 via USB – e os engenheiros
disponibilizaram no H360 um transformador separado só para o DAC. E todas possíveis
entradas digitais (exceto uma AES/EBU, que particularmente acho uma pena a Hegel não
disponibilizar).
O H360 também suporta AirPlay sem fio da Apple e pode funcionar com um
streamer/renderizador de mídia digital DLNA para que o usuário possa conectar um dispositivo
de armazenamento conectado à rede (NAS), que também é compatível com UPnP / DNLA
através de um roteador local.
Na parte analógica o H360 tem algumas diferenças significativas em relação ao H300. Sua
tecnologia patenteada SoundEngine foi atualizada e muitos dos avanços do power top de
linha, o H30, foram aplicados no H360. A tecnologia SoundEngine não utiliza realimentação,
ajusta a polarização dos transistores de saída para acomodar as condições de temperatura em

constante mudança (dependendo da flutuação do sinal) ao invés de estabelecer uma
polarização fixa para as condições mais usuais. O pré-amplificador utiliza seu próprio
transformador, para manter o ruído de fundo o mais baixo possível.
O H360 foi ligado direto em nosso sistema de referência, substituindo o power H30 e o pré
Dan D’Agostino. A fonte digital foi o dCS Scarlatti (completo) e depois somente o transporte
Scarlatti, para avaliação do DAC interno do H360. As caixas acústicas utilizadas foram: Emotiva
T1, Dynaudio Emit M20 e Kharma Exquisite Midi. Cabos de interconexão: Sax Soul Ágata (XLR e
RCA), Kubala-Sosna Elation (RCA) e Timeless Audio Amati (RCA). Cabos de força: Transparent
PowerLink MM2 e Definitive da Sunrise Lab. Cabos de caixa Transparent Reference XL MM2
(na caixa Kharma) e QED Signature nas demais caixas. Fonte analógica: toca-discos Air Tight,
braço SME Series V, cápsula Air Tight PC-1 Supreme, pré de phono Tom Evans Groove+. Cabo
de interconexão: Sax Soul Ágata (RCA).
Seguindo à risca a audição dos mesmos discos e faixas usados nas primeiras impressões do
H300, duas coisas nos pareceram evidentes: o silêncio de fundo do H360 e o seu controle das
caixas acústicas. Seguimos, após a primeira audição, os mesmos passos de amaciamento do
H300. Cem horas de queima e depois nova rodada de audições. O H360 é extremamente
musical desde o momento que sai da embalagem. Porém como todo excepcional produto hi-
end, o amaciamento lhe faz muito bem.
Com 100 horas os extremos ganham enorme extensão, sendo possível avaliar o grau de
refinamento deste amplificador. Os graves possuem enorme autoridade, energia, peso,
deslocamento de ar e corpo. O H360 toca com enorme folga qualquer gênero musical em
qualquer circunstância. Com 200 horas, a maior diferença se dá na apresentação dos médios-
graves, que ganha corpo e maior presença, fazendo com que o equilíbrio tonal em todo o
espectro audível se encaixe. Os médios altos recuam e os agudos ganham maior extensão e
melhor decaimento. Com 380 horas, o H360 não sofreu mais nenhuma alteração importante,
apenas sutis e pontuais mudanças com a troca de algum cabo de interconexão ou de força. Sua
compatibilidade com todos os cabos e caixas foi excelente.
Ainda que ocorram mudanças na assinatura sônica dependendo do cabo ou da configuração,
essas alterações são muito sutis. O que predomina é sua assinatura sônica, que é um misto de
autoridade, energia, inteligibilidade muito acima da média e um conforto auditivo supremo!
Você pode passar horas e mais horas em sua companhia, ouvindo de tudo em volumes
consideráveis (se sua sala e sistema permitirem) e ainda assim sair revigorado de longas
audições!
Para mim, o que mais me encanta no ‘som Hegel’ é sua capacidade de nos manter atentos,
porém relaxados, a ponto de sairmos de cada audição desejosos de repetir o quanto antes
aquele momento novamente. Recebo muita gente em nossa sala de testes, desde leitores,
importadores e amigos de longa data. E de uma maneira geral, a ‘interpretação’ que essas
pessoas fazem do Hegel é que soa um misto de válvula e transistor. Pessoalmente, não traduzo
essa assinatura dessa maneira, porém tenho que concordar que muitas gravações me
remetem ao calor e ao refinamento que eu tinha com os monoblocos da Air Tight ATM-3.
Mas quando ouço obras como a Abertura 1812 de Tchaikovsky, imediatamente volto à
realidade que estou escutando um power transistorizado. Agora tenho que dar a mão à
palmatória e concordar que sim, existe uma assinatura sônica Hegel. E como toda assinatura,
haverá os que se identificam e os que não.

À medida que fui buscando as anotações feitas no teste do H300, depois de totalmente
amaciado (400 horas), percebi o quanto o fator
de amortecimento do novo H360 (4000 contra 1000) é responsável pela melhora no controle
dos graves profundos. Ouvindo diversas gravações de órgão de tubo, ficou evidente que o
H360 é muito mais similar ao power H30 do que ao integrado H300. A mesma sensação do
grave percorrendo o chão e o incrível deslocamento de ar nos woofers, nos permite conceber
o quão mais próximo o H360 chegou do power top de linha da empresa.
No outro extremo, com os mesmo exemplos, notamos um decaimento mais suave e um corpo
ainda melhor (principalmente na reprodução de pratos de condução). Em termos de timbre
não achamos grandes diferenças, porém em termos de micro-dinâmica e transparência, a
evolução também foi notória. Com informações mais complexas, com vários instrumentos
tocando em uma mesma região, é possível notar que o esforço para acompanhar o todo é
muito menor. Os planos, assim como o foco e recorte, também se apresentam com maior
respiro e silêncio de fundo. Constatamos essa diferença ao ouvir dois corais russos cantando à
capela. Fiz a seguinte anotação no teste do H300: “no minuto 2:28, no crescendo das vozes
masculinas, a inteligibilidade dos tenores é comprometida com perda de foco e mudança no
plano, como se as vozes fossem jogadas para frente”. O volume no H300 nesta faixa estava em
68. Com o mesmo volume, mesmo setup de equipamento e cabos, a inteligibilidade não sofreu
alteração, foi possível acompanhar as duas linhas de barítonos e tenores sem perda de foco ou
mudança de plano.
O H360 resolve com muito maior folga passagens com grandes variações dinâmicas! O mesmo
ocorreu com os exemplos do quesito transientes. Na famosa faixa cinco do SACD Canto das
Águas, o violão do André Geraissati ficou extremamente mais ‘preciso’. Apresento esse
exemplo nos Cursos de Percepção Auditiva, para mostrar como em um sistema com melhor
resposta de transientes uma apresentação que soa ‘displicente’ em um determinado sistema,
pode se apresentar muito mais ‘precisa’ e atenta em um sistema
que reproduza melhor este quesito de nossa metodologia. É ouvir para crer! O H360 também
neste quesito se mostrou superior ao H300.
Deixei por último os três quesitos que mais evoluíram nessa nova versão: Textura, Corpo
Harmônico e Organicidade. As texturas se beneficiam enormemente do melhor silêncio de
fundo e do maior equilíbrio tonal. Com esse avanço, o H360 consegue ser ainda mais refinado
na apresentação tanto das paletas de cores como na expressividade e intencionalidade dos
músicos e das obras. Seu corpo harmônico (o tamanho mais próximo do real quando ouvimos
os instrumentos ao vivo sem amplificação) é de nos fazer acreditar que muito em breve os
integrados não irão dever em nada neste quesito aos prés e powers Estado da Arte.
O H360 evoluiu muito na apresentação do corpo harmônico tanto nos médios-graves como
nos agudos. Essa melhora permite ‘driblar’ nosso cérebro a acreditar que o acontecimento
musical está ali na nossa frente. E óbvio que com um corpo harmônico mais correto, a
organicidade (materialização física do acontecimento musical) se torna ainda mais verossímil!
Para os amantes da materialização física, em suas salas, de suas obras preferidas, saber que se
consegue essa ‘magia sonora’, com menos de 60 mil reais é uma notícia animadora!
Com todos esses avanços é inerente afirmar que o H360 é – até este momento – o melhor
integrado que já testamos!

E o DAC, será que melhorou? Quando publicamos o teste do H300 achamos prudente dividir
em dois blocos as notas: ele como integrado e ele sendo utilizado com seu DAC interno. Afinal,
a grande maioria de nossos leitores, que partiram para esse setup, buscou um upgrade tanto
na parte analógica, quanto digital. E muitos ficaram frustrados com a diferença de nota entre o
H300 analógico e o digital. A mesma pergunta que você deve estar fazendo, eu também fiz:
será que a distância diminuiu?
Sim amigo leitor, diminuiu, porém como a qualidade do integrado alargou em relação ao H300,
essa diferença continua existindo. Para avaliar o DAC, utilizamos o transporte do dCS Scarlati
ligado ao H360 com os cabos coaxiais Transparent Reference e QED 40. Utilizamos dois cabos
tão distintos em preço e performance na busca de ter uma idéia exata das melhorias atingidas
nessa nova versão.
Alguns dos pontos fracos do DAC no H300 era justamente sua extensão nos agudos, corpo
harmônico de uma maneira geral, e macro-dinâmica. Nesses três quesitos as melhoras foram
significativas. O novo DAC incluso no pacote do H360 possui melhor extensão nos agudos, com
excelente decaimento, maior velocidade e melhor corpo. Os médios também ganharam corpo
e maior inteligibilidade em passagens micro-dinâmicas. E a macro-dinâmica apresentou
evolução, porém continua sendo muito criteriosa com a escolha do cabo digital. Ou seja, o
usuário deverá guardar parte do orçamento para a escolha de um cabo digital de melhor
performance.
CONCLUSÃO
Nunca, em tempo algum, os integrados evoluíram tanto. As opções são cada vez maiores para
todos os bolsos e gostos. Para quem pretende fazer um investimento definitivo em um sistema
Estado da Arte, possui espaço reduzido e deseja se concentrar na escolha de um setup
minimalista, o H360 é uma das opções mais seguras de bons resultados e de uma satisfação
imensurável!
Trata-se do melhor integrado testado por nós até o momento! Se você possui um gosto
eclético, caixas também Estado da Arte, e busca o melhor par para conduzir seus sonofletores,
escute o Hegel H360. Trata-se de um integrado refinado, versátil, com potência suficiente para
domar qualquer caixa e tocar qualquer gênero musical.

PONTOS POSITIVOS
Um integrado Estado da Arte com excelente performance e custo.

PONTOS NEGATIVOS
O DAC ainda não está no mesmo patamar do integrado.

ESPECIFICAÇÕES
Potência de saída
Entradas analógicas
Saídas analógicas

Entradas digitais
Saídas digitais
Entrada de controle
Resposta de frequência
Relação sinal-ruído
Crosstalk
Fator de amortecimento
Dimensões (A x L x P)
Peso
250 W /canal em 8 Ohms, 420 W /canal em 4 Ohms
1 balanceada (XLR), 1 RCA, 1 Home-Theater
1 fixa de linha (RCA), 1 variável de linha (RCA)
1 coaxial, 3 óticas, 1 USB, 1 Ethernet (RJ45)
1 coaxial (sinal a partir das entradas digitais apenas)
3,5 mm IR-Jack
5 Hz – 180 kHz
maior que 100 dB
menor que -100 dB
maior que 4000
15 x 43 x 43 cm
20,5 kg (24 kg embalado)

AMPLIFICADOR INTEGRADO HEGEL H360 (SINAL ANALóGICO)
Equilíbrio Tonal 11,0
Soundstage 11,0
Textura 11,0
Transientes 12,0
Dinâmica 10,5
Corpo Harmônico 11,0
Organicidade 11,5
Musicalidade 12,0

total 90,0
VOCAL: 10
ROCK . POP : 10
JAZZ . BLUES: 10
MÚSICA DE CÂMARA: 10
SINFÔNICA: 10

AMPLIFICADOR INTEGRADO HEGEL H360 (SINAL DIGITAL ATRAvéS DO DAC INTERNO)
Equilíbrio Tonal 11,0
Soundstage 11,0
Textura 11,0
Transientes 12,0
Dinâmica 10,5
Corpo Harmônico 11,0
Organicidade 11,5
Musicalidade 12,0
total 90,0
VOCAL: 10
ROCK . POP : 10
JAZZ . BLUES: 10
MÚSICA DE CÂMARA: 10
SINFÔNICA: 10